terça-feira, 20 de outubro de 2009

NÃO CONSEGUIU DIZER "TÓ"

Amigos, é sabido pelo amantes da literatura, que a cultura nordestina, diga-se de passagem rica em seu cenário artistico e literário, tem como uma de suas jóias o repente. Pois bem, conta-se que um fazendeiro muito famoso e abastado, ao receber seu filho que retornava do estrangeiro onde concluira os estudos, promoveu uma festança à todos dos aredores, e para abrilhantar a festa, convidou o famoso repentista o cégo ADERALDO. É costume, dar ao repentista um tema ou mote como tambem é conhecido, para que seja feito a glosa, ou repente. Pois o filho do fazendeiro, rapaz orgulhoso, prepotente, convencido de ser superior por haver estudado na Europa, no propósito e intenção de zombar de ADERALDO, deu-lhe o seguinte mote: NÃO CONSEGUIU DIZER TÓ. Os presentes, demonstraram preocupação com um tema tão impar e de tão difícil interpretação. Cego ADERALDO, não se deu por rogado, tomou da viola, abriu o peito e soltou a seguinte jóia: NUMA CAMA O MORIMBUNDO / SENTINDO O AR LHE FALTAR / E A VIDA SE ACABAR / DESPEDIA-SE DO MUNDO / SENTINDO UM PEZAR PROFUNDO / A GARGANTA DEU UM NÓ / QUERENDO MORRER FELIZ / ELE DISSE, JESUS CRIS, E MORREU / NÃO CONSEGUIU DIZER TÓ. Os presentes aplaudiram freneticamente ADERALDO, que ouviu orgulhoso o rapaz parabeniza-lo desconcertado, e a festa se arrastou pela noite afora.
Por: EDILTON LOPES
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domingo, 18 de outubro de 2009

A VIDA

A vida, o que é a vida senão o tempo de uma passagem cujo início do fim é o nascimento e o momento de parar é a morte. O que é a vida, senão a coletãnea de pequenas alegrias e muitos sofrimentos. É o rosário das tristezas e desilusões, entremeadas de amores e esperanças, de saudade e de tentações as vêzes boas e muitas vêzes más, cheia de sorrisos falsos e de safadezas premeditadas. Mas tudo isso é a essência que está contida em sua natureza, e se assim não fosse, não seria vida. Tentamos vive-la de acôrdo com as nossas possibilidades, porém atentos a contagem regressiva de um tempo ainda distante, ou que já está batendo à nossa porta anunciando a hora da partida ou o fim da vida, Quem saberá? Nesse momento como num ajuste de contas, tudo se espiritualiza. Os amigos em lágrimas tontas, se desculpam, lamentando não nos ter amado mais . Os curiosos dizem " coitado " tão moço, e os íntimos acham que cumprimos a missão. Nesse momento as vaidades se evaporam e o dinheiro nada compra, porque o sol não brilha mais. Todas as farras, bebedeiras, os amores, são besteiras que o tempo deixou pra traz. Nesse momento, o perdão se faz presente e a bondade indulgente é a vedete do dia. Na madrugada, enquanto velam nosso corpo, nossa vida é comentada, criticada, dessecada. Nossos pecados são lavados em lágrimas e enxugados pela bondade dos presentes. Na hora do enterro, estamos santificados e mil vezes perdoados, porque todos todos estão vivos e nós, ali enterrados.

Por WALTHER JOSÉ